A necessidade do ser humano de medir para comparar é atávica. As unidades de medida podem variar de acordo com a região, mas sempre é possível fazer comparar porque existem relações fixas entre diferentes unidades. Existe, portanto, possibilidade de conversão. Graus Fahrenheit podem ser convertidos em Celsius, libras em quilos, um acre em metros quadrados, mas um metro será sempre um metro, esteja onde estiver inclusive – pasme – no Brasil.

Nestes tempos estranhos em que qualquer um pode falar o que quiser sem ter que se apoiar em qualquer coisa sólida, é impressionante a tendência de muitos de tentar discutir as unidades de medida em vez de entender o significado dos resultados. Deve ser um tipo de mania nacional.

Uma das mais antigas discussões que gostamos de travar é em relação à inflação, que todo mundo “acha” que está errada, mas agora a coisa se disseminou de tal forma que não existe praticamente nenhum indicador que não esteja sub judice. E não importa tampouco se quem duvida do resultado tem capacidade técnica para discuti-lo.

Lembro-me claramente de uma dessas reuniões do COPOM em que um repórter de televisão teve a infeliz idéia de perguntar a uma dona de casa numa feira livre o que ela achava da taxa de juros e a Dona Maria não se fez de rogada, disse que era absurda e que “o governo devia baixar a taxa de juros para zero”.

Outros exemplos mais recentes e importantes: O Banco Mundial conduziu um estudo acerca da facilidade de fazer negócios em 180 países. O Brasil está em 126º lugar na média de 10 indicadores. Isso, eu disse na média. Veja quais são e qual a posição relativa do país (ranking):



Se quiser conferir, a tabela completa com toda a metodologia você pode ver neste endereço.

Pode ser orgulho para alguns saber que nós estamos à frente de potências internacionais como a Tanzânia (127) e Honduras (128). Eu, como não quero me enganar, fico pensando como é que conseguimos ficar atrás da Suazilândia (eu sei que você nem sabe onde fica isso mas está no 124º lugar), da Argentina (113) e das importantíssimas Ilhas Seychelles (103). Quase esqueci de comentar que o Chile está na posição 39 desse índice. Mas o governo brasileiro achou que esse número não expressa a verdade.

Está bem. Esse é um terreno indigesto, portanto, vamos ver outro indicador: nosso PIB, o produto interno bruto. Esse sim é bacana, ainda mais porque esse é o indicador do tamanho da economia e que, segundo a publicação britânica The Economist, deverá nos levar ao honroso 6º lugar em 2011, ultrapassando o Reino Unido.

Agora sim, não é? Só um probleminha. Quando se divide o PIB pela população, chegamos aos PIB per capita. O The Economist, que conhece as diferenças entre os estados brasileiros, fez um estudo do PIB per capita por estado brasileiro e comparou esse indicador com o de alguns países. Chegou a conclusões interessantes que você pode ver aqui.

Para matar sua curiosidade, eu vou transcrever alguns resultados: O Rio Grande do Sul, por exemplo, tem um PIB per capita semelhante ao do Gabão; o do Maranhão (do presidente do senado José Sarney) é parecido com o da Tunísia; Mato Grosso do Sul está mais próximo das Ilhas Maurício e S. Paulo, da Polônia. Bem, então é melhor não usar esse número também. Pode ser complicado.

Vamos então achar um indicador que não seja financeiro. Já sei! “Nunca antes na história deste país” o social foi tão valorizado, portanto, o IDH – índice de desenvolvimento humano, desenvolvido pelo PNUD, órgão da ONU, deve servir.

Entre 187 países, o Brasil ficou em 84º lugar. Como? Não é possível! Qual a reação do governo? Entender o que está errado? Procurar as causas? Corrigir deficiências? Não. A ministra do Desenvolvimento Social – um dos mais de trinta ministérios – resolveu reclamar do resultado. Deve ser brincadeira. Não, é sério.

Vamos ver o que acontece com a educação?

Em uma palestra para o Movimento por uma Nova Política, do qual faço parte, a professora Ângela Costa trouxe indicadores impressionantes, principalmente para quem está acostumado a ouvir a propaganda oficial alardear as bondades de nossas escolas.

A OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico realiza um estudo chamado PISA, que avalia alunos de 15 anos. Entre 65 países ocupamos o 53º posto.

Algumas conclusões do estudo: Metade de nossos alunos possui apenas o grau mínimo em habilidade de leitura (os estudantes brasileiros pouco entendem do que lêem) e não conseguem ir além dos problemas básicos em matemática, além de só entenderem o óbvio em ciências!.

Em matemática 69% chegaram ao nível 1 e somente 0,8% atingiu os níveis 5 e 6. Em Ciências 54% atingiram o nível 1 e apenas 0,6% atingiu os níveis 5 e 6!

Mas essa OCDE deve estar a serviço da direita reacionária, dirão alguns. Portanto, vamos procurar outro indicador: o IDEB. A meta do governo federal é atingir a nota 6 em 2022 (o tempo passa rápido, não é?).

Numa escala de 0 a 10, o ensino médio de MS obteve em 2009 a estonteante nota 3,8! O curioso é que nossos governantes se jactam de oferecer uma das melhores escolas do país. Esquecem-se, claro, que nosso povo varonil precisa estar preparado para enfrentar o mercado mundial.

Se você quiser saber mais a respeito das notas de cada escola, é só visitar este endereço. Mas eu vou cometer outra indiscrição e contar que a média das 72 escolas estaduais avaliadas foi de 4,40. Estamos reprovados no país e no mundo!

As escolas municipais de Campo Grande não estão muito diferentes. A média dessas é de 5,28. Entre 81 avaliadas, somente 7 atingiram a nota necessária para ser considerada adequada (nota 6).

Mas apesar disso, há sempre alguém disposto a provar que “nunca antes na história” estivemos tão bem. E se os números disserem o contrário, mudemos o metro porque afinal, não existe pecado do lado de baixo do equador e se os números não mostram o que queremos, então que se mude o número.


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Parece brincadeira, mas não é: em outubro de 2009 eu escrevi um post que me valeu um “convite” da Justiça Federal para que “prestasse esclarecimentos” acerca de minha considerações.

O texto intitulado “Arrogância burro-democrática” tratava de dois bloqueios que índios faziam na duas principais artérias de distribuição de bens do Estado.

O procurador do MPF à época entendeu que o texto era depreciativo e que instigava o preconceito contra os índios. Tudo isso porque eu dizia que eram um “bando” e que, como cidadão, eu exigia o respeito ao meu direito de ir vir.

Na verdade, no meu texto original, ao mesmo tempo em que criticava a prepotência dos índios, meu foco era principalmente o descaso do governador que se mostrava tão valente diante de algumas situações mas, naquela, simplesmente deixava tudo como se nada existisse.

Hoje, 18 de maio de 2011, o problema se repete em uma das estradas já interditadas anteriormente. O lugar é praticamente o mesmo, a justificativa também. O resultado, idem (veja aqui a matéria a respeito).

Desta vez a governador mandou a PRF desbloquear a todo custo a estrada… depois de mais de 7 horas!

Bem que os governantes poderiam usar toda essa agilidade na hora de cobrar impostos, não é? Mas aí, nem as mercadorias compradas pela internet escapam, não é, governador?

PS: esclarecendo ao MPF, caso pretenda me chamar outra vez para prestar depoimento, desconsiderando meu direito de livre-expressão do pensamento, ainda que discordante:

1. SIM, respeito muito os índios e sua cultura ancestral;

2. NÃO, não acho que tenham direito a ter de volta as terras que ocupavam, até porque se fosse esse o caso, ocupariam todo o território brasileiro… aliás, do mundo;

3. SIM, gostaria que eles me respeitassem e aos milhões de brasileiros que transformaram esta nação porque, se fosse depender deles, tudo estaria provavelmente devastado e eles estariam se matando uns aos outros.

4. se a lei vale para mim, deveria valer para todos, índios, negros, homossexuais, sem-terra, marcianos etc.

5. SIM, gostaria também que o MPF estivesse mais atento às questões dos direitos coletivos que incluam todos os grupos mencionados acima, além dos brancos, amarelos etc…

PPS: BANDO é BANDO. Se não souber a acepção da palavra, vá buscar no dicionário ou vá até o artigo anterior. Lá eu estava com mais paciência e coloquei um link direto…


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Os resultados do senso do IBGE de 2010 só começaram a ser divulgados. Realmente não é um trabalho simples tabular as infinitas variáveis e delas extrair informações relevantes.

Se por um lado, como diz meu amigo Luca Maribondo, “não dá para confiar em estatísticas”, por outro, não temos nada melhor para entender o passado, explicar o presente e projetar o futuro.

Semana passada a imprensa divulgou um dado assustador: 8,5% da população brasileira, correspondentes a 16,2 milhões de pessoas, vivem com uma renda mensal inferior a R$70. Destes, 4,8 milhões têm renda zero. Soubemos, também, que 75% destes brasileiros estão localizados nas regiões Nordeste e Norte e que o analfabetismo é a condição que melhor “explica” a miséria deste contingente de brasileiros.

Mas felizmente ainda temos gente que pensa neste país inerme, pusilânime. A FGV estudou os mesmos dados, comparando-os aos obtidos no passado e, voilà, chegou a conclusões diametralmente opostas do ponto de vista da imprensa.

Para começo de conversa, a renda da metade mais pobre do país cresceu 5,5 vezes mais rápido no período de 2000 a 2010, do que a renda da metade mais rica. Para ser mais preciso, o crescimento da renda desse estrato populacional foi de quase 68% contra 10,03% dos 10% mais ricos.

Até aí, está tudo lindo. O problema é quando começamos a  verificar as causas prováveis para a baixa renda. É óbvio que a falta da educação atinge diretamente esse contingente populacional mas, o que realmente impressiona é que, enquanto os analfabetos apresentaram um crescimento na renda de 47% entre 2001 e 2009, nas faixas de maior escolaridade esse renda CAIU 17%!

O estudo afirma literalmente: “Pessoas de cor preta ganharam aumentos de 43%, já os brancos 21%. O ganho das Mulheres foi de 38% contra 16% dos homens, Os analfabetos obtiveram ganhos de 47% enquanto pessoas que já foram à universidade experimentaram queda de 17%”.

Pelo menos uma coisa eu consegui entender: as coisas estão difíceis porque sou homem, branco e tenho nível universitário.

A FGV aponta pelo menos uma possível explicação: as famosas “bolsas”! O raciocínio é simples: as atividades para as quais não se exige capacitação acabaram tendo seus salários pressionados para cima porque agora essas pessoas tem como alternativa a renda garantida pelo governo. É portanto, a prova matemática da sensação que todos temos (para que alguém vai trabalhar se pode simplesmente receber as diversas “bolsas esmola”?).

Ainda assim, estaria tudo certo se não fosse a perversidade da valorização da falta de capacitação. Esse círculo vicioso acaba por desincentivar o estudo. Estamos criando um país de gente que não consegue sequer compreender um texto, quanto mais avaliar o desempenho de um político e votar conscientemente.

O pior é que os que estudam, são calados por uma posição bem remunerada em um canto de uma repartição pública qualquer, em uma função para a qual é essencial que se deixe o cérebro em casa.

Evidentemente esse modelo não é sustentável, mas até que se perceba isso, será tarde demais.


A defesa da presidente durante a campanha eleitoral gabava-se de sua capacidade gerencial como forma de compensar sua evidente hipossuficiência política. O desastre da intervenção na vida da Vale do Rio Doce, demonstrou exatamente o contrário.

Não me interessa saber se Roger Agnelli, o ex-presidente, foi ou não prepotente por achar que poderia enfrentar a massa petista. O que definitivamente me interessa é que o grande “defeito” de Agnelli foi ser muito bom.

A empresa, que foi privatizada em maio de 1997, passou a impressionar por seus resultados em  julho de 2001, quando Agnelli assumiu a presidência. 10 anos bastaram para transforma-la na segunda mineradora e na maior produtora mundial de minério de ferro. Eram 11 mil funcionários em 1997, hoje são 174 mil. O lucro passou de R$ 390 milhões para R$ 30,7 bilhões.

Se você tivesse aplicado R$ 1 mil em ações da Vale no dia da posse de Agnelli teria R$ 16.829 em 23 de março (“só” 1.583% de valorização), quando ele foi estupidamente “deposto” pela trupe de Vana. Evidentemente, com sua saída todos os acionistas passaram a perder dinheiro (o resultado em março foi de 6,81% negativos), apesar da conjuntura internacional extremamente favorável, com preços em alta e um balanço absolutamente excepcional.

Ao analisarmos o tema, percebemos que não é só isso o que importa. A essência do problema é muito mais complicada porque ficou estabelecido o semi-crime de ser competente e, mais sério, demonstrou que nesta republiqueta de bananas não importa se a empresa é privada ou não: basta ter dinheiro que o governo mete a mão.

A estupidez começou com o ex-mor Lula, que só consegue conviver com o sucesso de seu filhote ex-faxineiro de zoológico mas continuou com sua sucessora e o sempre presente Mantega.

Se fosse um jogo de futebol, a mais conhecida metáfora de Lula da Silva, estaríamos tirando Pelé, Ronaldo, Ronaldinho e todos os maiores artistas da bola, para substitui-los pelos “bolas-murchas” do Fantástico.

Aliás, essa é a forma petista de governar: não dar chance para a competência aparecer. De outra forma, evidentemente suas excelências teriam um sério problema para “administrar” seus comandados.

Neste desgoverno, mérito é a capacidade de promover a imbecilidade.


Imagine a situação: seu vizinho – quase seu irmão –  tem uma imensa área abandonada e você lhe propõe a construção de uma enorme piscina, que ultrapassa os limites do seu terreno, avançando até o outro lado da cerca. Junto com a piscina, seu projeto inclui a construção de um belo jardim e instalação de todos os equipamentos para que as famílias usufruam do empreendimento. Um verdadeiro parque aquático, digno das mansões hollywoodianas! Mas – sempre tem um “mas” – seu vizinho não tem dinheiro para isso.

Poderia ser o fim do projeto mas você se dispõe a pagar tudo. Supondo evitar problemas futuros, vocês (afinal, o interesse é comum) assinam um acordo no qual fica definido que quando não estiver usando a área dele, sua família poderá usá-la, pagando por isso o aluguel da área.

Você pega suas economias, faz um maravilhoso balneário e as famílias convivem ali. A família do vizinho é muito menor que a sua mas acha que foi um grande negócio porque, afinal, a sua acaba pagando tanto pela utilização do “parque aquático”, que quase um quinto da receita deles vem de lá: um pedaço de terra que estava abandonado até então.

De repente o genro chato do vizinho resolve dizer que você está pagando pouco, que o sogrão deveria logo encher aquele buraco de terra ou pior, de jacarés e piranhas, só para… aborrecer todo mundo.

Você vai tentando contornar a situação até que chama sua família (primos, parentes, agregados) e conta o problema. Mais do que depressa, eles concordam com as “exigências”, até porque não são eles que pagam a conta. Vão até o vizinho e pedem “desculpas pelo passado”, rasgam o acordo que sempre existiu e concordam em triplicar o que pagam para utilizar as benfeitorias que VOCÊ CONSTRUIU.

Que absurdo, não é? Não é o que pensam nossos congressistas em relação a Itaipu, até porque não são eles que pagam a conta, assim como não foi deles o dinheiro empregado na construção.

O Congresso Nacional aprovou a revisão do Tratado de Itaipu! A alteração dos termos do anterior, assinado 26/04/1973 elevou de US$ 120 para US$ 360 milhões por ano o repasse que o Brasil faz ao Paraguai pelo uso da energia excedente – aquela que os vizinhos não usam – de Itaipu.

Até 2023, quando se encerra o acordo original, serão repassados US$ 3 bilhões a mais para o Paraguai.

Considere que, depois dessa data, nuestros hermanos herdarão 50% da usina, avaliada em US$ 60 bilhões, sem nada ter investido na construção da hidrelétrica.

Detalhes curiosos: Itaipu supre 97% da eletricidade do Paraguai e 20% do Brasil. A receita gerada pela venda da energia aos preços vigentes no acordo original, era correspondente a 19% do PIB daquele país.

Enquanto isso, segundo o Estadão, “Estudo … mostra que fábricas de setores eletrointensivos – em que o custo da energia é um dos principais componentes no preço final do produto, como alumínio, siderurgia, petroquímico e papel e celulose – estão fechando unidades no País ou migrando para outros locais por causa da perda de competitividade no mercado brasileiro”.

Então cobramos muito de quem produz, a ponto de prejudicar os investimentos, e doamos um caminhão de dinheiro aos vizinhos, sem que sejamos obrigados a fazê-lo.

Tem algo muito errado nessa história. Não é possível que esses senhores que supostamente nos representam, não tenham atentado para o fato de que estamos dando de presente o suor de nosso povo. Se fosse o próprio, com certeza não haveriam de concordar.

Enquanto isso, meu caro brasileiro, você não pode nem mesmo ir até a beira da piscina, porque tem que trabalhar para pagar imposto, escola e convênio médico. Mas não se preocupe: o deputado e senador em quem você votou, estão muito bem, obrigado.

 

(escrito por sugestão do amigo Aldayr Heberle)


“Ultima ratio regum” (última razão dos reis) era uma expressão latina utilizada nos canhões monarquistas. Era uma forma de estabelecer que, baldadas as tentativas de convencer inimigo através de uma conversa amigável, estes (os canhões) eram os últimos argumentos de “El Rey”. Algo como uma justificativa para a agressão.

Constato hoje que nada mudou! No fundo estamos todos vivendo sob uma monarquia onde nem mesmo a constituição é respeitada e onde o rei não está nem aí sequer para ser o “poder moderador”.

Os critérios para estabelecer se o governante é bom ou não, no fundo continuam sendo os mesmos de outrora. Grandes reis eram grandes guerreiros, matavam muita gente mas eram idolatrados pelos súditos, que os achavam grandes líderes, em quem podiam confiar, mesmo que também seu povo e exércitos, evidentemente sofressem baixas. Tudo não passava de marketing.

Alguém, por favor, me mostre qual a diferença entre as loucuras dos governantes que mandavam seus súditos para morrer em campos de batalha e os atuais governantes, que se convencem de que suas idéias são as únicas, infalíveis e evidentemente devem ser levadas a cabo “custe o que custar”? Essa loucura dos governantes acaba por contagiar o povo que acaba justificando toda sorte de insanidades de seus ídolos.

Acontece o tempo todo, em todas as esferas, em todas as áreas.

  • Uma seleção dentro de uma universidade pública estabelece regras para promoção dos professores mas, desagradavelmente, quem sai vencedor não é o professor que a direção queria. Não tem problema. Cancela-se a seleção. Tudo como dantes no quartel d’ Abrantes.
  • Um maluco entra na escola e resolve dar tiros matando crianças e, pimba, todo mundo esquece que o plebiscito do desarmamento já ocorreu e que a população decidiu que impedir a comercialização de armas não funcionaria. A solução mágica passa a ser… outro plebiscito (quem sabe desta vez essa gentalha concorda com o Rei, não é?).
  • Um hospital privado, depois de reclamar durante muito tempo que os pagamentos que a prefeitura deveria fazer e não fazia, resolve fechar as portas do pronto socorro para minimizar os prejuízos. El Rey prefeito resolve que pode “salvar a pátria”, tomando o hospital. Depois de 6 anos, nada funciona, mas isso não importa porque o povão gosta é de sangue… dos outros, claro.
  • Um ex-presidente decide que precisa a todo custo eleger sua sucessora e, do nada, cria os factóides mais alucinados, desde linhas de crédito para manter o consumo de carros e eletrodomésticos elevado, até enormes reservatórios de petróleo que ninguém sabe como, quando ou quanto vai custar para explorar. Mas ficou tudo certo porque, afinal, o povão não sabe que vai ter que pagar a conta no futuro, através da inflação e queda no ritmo do desenvolvimento (aliás, “o futuro a Deus pertence, portanto, eu quero é ficar bem agora”).

Imaginamos viver sob um regime democrático de direito, com três poderes constituídos, cada qual com seu papel, no entanto, o executivo tradicionalmente legisla mais do que o legislativo e agora, até o judiciário resolveu se arvorar  no direito de estabelecer regras, inclusive permitindo-se “sanar os vazios da legislação”.

Em resumo, estamos vivendo sob um regime absolutista e – horror dos horrores – aplaudindo os gladiadores e leões que trucidam alguém que ousou pensar diferente.

Nas canetas e teclados de computador dos políticos,  juízes e promotores deveríamos fazer constar a frase latina “ultima ratio regum”. Seria mais honesto e politicamente correto do que inscrever “porque eu quero” e ainda por cima, fingir que são democráticos e cumpridores das leis.


por Mara Kramer

No primeiro domingo de setembro de 2010 o Brique da Redenção, feira dominical de arte, artesanato e antiguidades tradicional de Porto Alegre estava repleta de gente. Em período eleitoral o número de pessoas aumenta, pois partidos e coligações montam suas barracas e trazem seus filiados e gente paga para fazer campanha. O Brique incorpora historicamente, junto a sua função principal, um componente político. Fotos de Dilma ao lado de Lula e Tarso se vêem de longe, são grandes e vistosas. Surpreendentemente, não se vê fotos de Serra, muito menos com Yeda, candidata à reeleição para governadora, e também do PSDB. Ninguém faz campanha para Serra, ele entra, quando entra, de lambuja na campanha de outros correligionários. Nesta mesma época visitei mais três ou quatro cidades do interior do Estado. Em nenhuma vi sinais de campanha para Serra. PDT, PMDB e PT monopolizavam a paisagem das cidades, do PSDB nem sombra.  Mais tarde li no blog do jornalista Políbio Braga, sempre muito bem informado, que, basicamente, não houve campanha para Serra no primeiro turno no RS, confirmando minha percepção daquela realidade

A campanha de Serra para presidente foi problemática em vários sentidos. Sobre alguns nós já conversamos, como a escolha da estratégia de marketing, a ausência de um discurso firme e consistente de oposição, a falta de unidade no partido enfatizada em Minas onde Aécio fez corpo mole na luta por Serra no primeiro turno ganhando força o voto Dilmásia (Dilma + Anastásia), o isolamento de Yeda pelo partido no RS, etc. Este quadro constituiu o fechamento de oito anos de ausência de oposição frente ao governo Lula. Neste período os partidos opositores tiveram alguns momentos brilhantes como a derrota do governo na renovação da CPMF, mas tais momentos foram raros. A oposição foi apática, e como tal, conivente com os abusos de poder e incompetência do lulapetismo.

Do outro lado, em compensação, tudo era exuberante. Dilma sai como candidata da situação, não oficial, em meados de 2009. Submete-se a uma operação de estética facial, acompanha Lula em eventos públicos, Lula fala nela sem querer querendo sempre que pode, tem-se a idéia de que a campanha começou para o PT antes do tempo permitido. Nas negociações regionais Lula prioriza o apoio à candidatura ao Planalto. A campanha para a situação era nada mais que a extensão de uma prática mantida durante todo o governo, pois o ex-presidente jamais desceu do palanque. Começa a campanha pra valer e o dinheiro sobra para os petistas, a máquina pública esta a serviço da candidata do governo, o presidente dentro e fora de expediente faz campanha explicita para sua pupila. Diz que fará por Dilma mais do que faria por si mesmo nesta eleição. Procedimentos ilegais abundaram no lado da situação, mas a justiça não teve coragem de punições consistentes e o circo seguia. Tivemos dossiês, agressões, despotismo, que foram engolidos pela onipresença de Lula, pela negligência da oposição e da justiça. Segundo o discurso governista o país era outro após os oito anos de lulapetismo, como nunca antes havia sido, tratava-se de um desabrochar, funcionava com perfeição, a economia em alta, o bolsa família ampliava-se, o povo consumia e regozijava-se. Popularidade inédita do presidente nas pesquisas. Situação dava como certa vitória no primeiro turno, oposição nunca acreditou que venceria.

Situação e oposição foram surpreendidas logo nos resultados das urnas no primeiro turno – haveria um segundo turno. O PT sente o baque, o prestigio de Lula é afetado, o partido cambaleia nos primeiros dias, para reagir depois. O PSDB reorganiza sua logística regional, rearticula-se politicamente, Aécio adere, de fato, à campanha, os tempos na TV se igualam, e o resultado do segundo turno é novamente surpreendente. Ganhou Dilma, mas a diferença não é a que o PT e Lula esperavam. Dilma recebe 55.752.529 votos e Serra 43.711.388 votos.

Acima descrevi um panorama conhecido, mas o fiz visando identificar novas interpretações sobre estes acontecimentos. Ao estabelecer um paralelo entre as atuações da situação e da oposição durante os últimos oito anos, incluindo as campanhas presidenciais, destaca-se a superexposição da primeira frente à omissão da segunda, e neste caso a proximidade dos resultados eleitorais é ainda mais instigante. Como uma oposição desestruturada, que enfrenta eternas e profundas disputas internas, sem trabalho de base, incapaz de assumir seu papel no jogo democrático alcança resultados semelhantes ao do carismático e mediático Lula que vence apenas no segundo turno?  Se é assim não posso deixar de pensar no que teria ocorrido se a oposição agisse conforme deve: fiscalizar, criticar o governo e propor alternativas sempre visando a melhoria da qualidade de vida do povo. Provavelmente, teria ganho as eleições.

Pode-se depreender daí que a derrota da oposição tem muito mais a ver com sua própria debilidade, do que com a famigerada invencibilidade do PT de Lula. Parece que a popularidade, a aprovação e o carisma do ex-presidente não têm a dimensão que muitos lhe atribuíram. Talvez sejam apenas mais uma construção mediática como muitas outras criadas e difundidas em seu governo e que hoje vemos desmoronar uma atrás de outra. É possível que sua invencibilidade eleitoral tenha sido apenas uma estratégia de marketing exitosa, pois manteve seus adversários amedrontados frente a ela, mesmo que a realidade oferecesse uma infinidade de argumentos para o contra-ataque. Neste caso, os eleitores foram muito mais sagazes que os próprios políticos e conseguiram ver atrás da cortina de ilusões apresentada pelo discurso governista. Não quero dizer com isto que Lula não seja carismático, apenas ressalto que esta característica unida a um contexto dito como favorável não foi suficiente para obter o voto de grande parcela da população brasileira.

Esta visão demonstra que houve no campo político brasileiro nos últimos oito anos uma super valorização da fortaleça política do PT, e paralelamente um processo de desmontagem da oposição, caracterizado pela marginalização política de FHC e as obras de seu governo. O engrandecimento do PT e a desvalia da oposição, sobretudo do PSDB, pois governo anterior e maior partido da oposição são ações que fazem parte da engrenagem armada pelo PT visando o desmantelamento do sistema democrático a partir do enfraquecimento do confronto das forças opositoras exigidas pelo modelo, e do enaltecimento do partido único, símbolo do autoritarismo.

Observa-se, a partir de uma leitura um pouco mais atenta, que os partidos de oposição deixaram-se intimidar pelo novo jogo político no cenário nacional resultante da chegada ao governo do PT, foram capturados pelas artimanhas petistas que objetivam o esvaziamento da oposição como força política, e a imposição do PT como partido hegemônico. Penso que os números da última eleição, tanto os que se referem à candidatura para presidência, quanto a votação para governadores, demonstram a capacidade de discernimento do povo na leitura da realidade não se deixando enganar pela postura imoral, anti-ética e anti-democrática do PT, assim como por seu discurso desonesto e desrespeitoso para com a população. Neste sentido, a política da oposição deve ganhar autonomia, estrutura e caráter próprio, acreditar na sua capacidade e eficiência, deixando de ser balizada pelo PT, pois o partido governista tem “pés de barro”. O povo brasileiro ofereceu sinais evidentes sobre seu desejo de uma oposição forte e profissional. Esperamos que nossos políticos não nos desapontem!


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Estamos vivendo um “entroncamento da história”.

De um lado, temos à nossa disposição os elementos necessários à disseminação do conhecimento, condição essencial para a promoção do desenvolvimento. O problema é que esse conhecimento pode ser muito perigoso para aqueles que se acostumaram a desconsiderar a coerência, o bom senso e a ética, o que nos leva ao outro caminho, o do obscurantismo medieval, também ao alcance de nossos governantes.

Preocupa-me o fato de que excrescências jurídicas como as que possibilitam que o Estado se aproprie de propriedade particular sem sequer oferecer qualquer contrapartida a seus proprietários (é só acompanhar o caso Santa Casa de Campo Grande para saber do que estou falando) ou a indicação de um parlamentar de hábitos comprovadamente inaceitáveis como Renan Calheiros, para ocupar a comissão de ética do Senado Federal, só para citar dois exemplos entre os inúmeros recentes.

Temos a tendência de achar que esse tipo de barbaridade ocorre em qualquer lugar do mundo. Não é bem assim.

Embora a corrupção esteja presente em  praticamente todas as sociedades, sua aceitação como fato corriqueiro só existe em locais onde o nível educacional é muito baixo ou naqueles em que falta tradição, formação moral. Neste particular, vivemos no Brasil as duas condições.

Mas as soluções podem ser bastante rápidas e relativamente baratas. Veja, por exemplo, este vídeo que relata uma interessante experiência na Índia, um país com desigualdades sociais ainda mais profundas do que as que temos no Brasil.

Espero que a sociedade tome em suas mãos a tarefa de por difundir o conhecimento e, a partir dele, por fim à possibilidade que ainda hoje nossos governantes tem de determinar qual interpretação os juízes devem dar às leis, de acordo com sua conveniência.


Tenho o hábito de analisar o comportamento dos agentes públicos e como respondem às necessidades mais óbvias da população quando não estão em campanha eleitoral.

Meus temas prediletos são a economia, educação e saúde. Desisti de analisar o respeito à cidadania porque isso pressupõe respeito à justiça e, se existe uma coisa que não funciona neste país, isso é o judiciário.

O problema é que nesta republiqueta de bananas, todos somos vítimas das leis e de grande parte de seus agentes porque os conceitos de bom senso e de segurança jurídica são solenemente desconsiderados. Por isso mesmo, muitas vezes o cidadão comum é obrigado a compreender o andamento de processos para adivinhar de onde virá a próxima agressão ou qual será a próxima brecha aberta para um safado qualquer se apropriar de recursos públicos.

É exatamente este o caso que me motivou a escrever. Sem entrar em detalhes aborrecidos, os dados básicos para que você entenda e possa conferir na fonte, o número do processo do TJMS é 001.07.076320-9/00006 e os “autos suplementares” de execução da intervenção, cujo teor é o centro deste texto, estão conclusos (ou seja, nas mãos do juiz) desde 14/05/2010 (11 meses para que fosse apreciado!).

As partes do famigerado processo são a ABCG – Associação Beneficente de Campo Grande, que construiu e manteve por mais de 80 anos a Santa Casa da cidade e, de outro lado, o Ministério Público Federal e o Estado de MS, que tomaram o hospital de quem o construiu.

Entre os dez pedidos formulados pela Associação, o julgador se ateve a dois: a “justiça” autorizou o Estado a se apropriar do HOSPITAL, o que está sendo discutido, claro, mas evidentemente não poderia incluir nesse “pacote” OS OUTROS BENS da entidade, legalmente constituída. Além disso, a ABCG também pedia que fosse cumprida a sentença, confirmada pelo acórdão, que determinava o pagamento da multa de R$10 mil diários por descumprimento dos termos ali estabelecidos.

A decisão do juiz Amaury da Silva Kuklinski inclui trechos de ironia escarrada dignos de um folhetim, mas de aplicação duvidosa para uma sentença, especialmente considerando-se que o tema angustia a população que depende do atendimento oferecido pela instituição.

Para não castigar os menos afeitos a esse tipo de leitura, esclareço que o início da peça é bastante convencional e traz uma pequena cronologia dos fatos, terminando-se o trecho com uma interessante observação relativa à decisão de “manter a intervenção pelo período de mais três anos (necessários, segundo o acórdão, para uma transição adequada) a contar do julgamento, quando então o CNPJ, as contas e o que tiver restado do prédio e instalações da Santa Casa serão devolvidos a (sic) Associação Beneficente, quero crer”.

Embora eu tenha destacado partes do texto, a expressão “quero crer” está presente no original, demonstrando uma pitada de desconfiança em relação ao desenrolar desse episódio, isso para não mencionar o outro comentário “o que tiver restado do prédio e instalações”.

Mas o texto continua, destacando que de 2005 a 2011 poucas melhorias foram feitas e muitas estão por realizar, “baseado nos memoriais descritivos apresentados pelo Ministério Público, cujos representantes, com certeza são usuários do nosocômio, em vista da segurança com que afirmam estas melhorias”. Outra vez o destaque é meu, mas a transcrição é literal.

A sucessão de observações enviesadas não termina aqui. Continua dizendo que “não é compreensível como a imprensa de Campo Grande e até a Nacional, destaca de forma constante o caos no atendimento da Santa Casa, com pessoas atendidas em macas nos corredores, internadas nos centros cirúrgicos (por inexistência de UTI’s suficientes) e cancelamento das cirurgias eletivas, por falta de centros cirúrgicos, ocupados”.

Provavelmente o auge do “bom humor” do julgador ocorre no parágrafo que se segue, no qual faz considerações acerca “das condições físicas dos prédios, que, estas sim, constatei pessoalmente, com fiação passível de incêndio e elevadores que testam de maneira adequada o sistema cardíaco de qualquer usuário (por isso cancelaram os transplantes cardíacos, com certeza, e não por falta de condições, como querem as más línguas)”.

Não, não acredito que o juiz esteja “tirando um sarro da minha cara de pamonha”, afinal eu é que pago parte de seu salário. Vamos continuar porque eu devo ter entendido mal.

Para meu alívio, o texto passa a adotar um tom sério, esclarecendo que as “evidências infelizmente, não corroboram os entendimentos mais otimistas sobre a intervenção, já que o que não foi feito em seis anos, dificilmente será levado a cabo nos dois restantes” e ainda, “que os relatórios financeiros (parcos) apresentados (…) anunciam déficit mensal constante (…), o Estado e o Município, que deveriam zerar o déficit, não o fizeram”, não havendo, portanto, “notícia de redução da dívida apesar dos constantes empréstimos bancários (14 milhões da CEF, por exemplo para pagamento de 13º. Salário e depósito na conta com limite ultrapassado)”.

A partir daí, no entanto, o juiz consegue a proeza de se perder completamente no raciocínio e nos pedidos, declarando literalmente que o Judiciário não tem suporte nem a atribuição constitucional para fiscalizar a atividade pública. Não mesmo? Seria conveniente lembrar que intervenção determinada na Santa Casa é JUDICIAL, ou seja, do judiciário, embora os gestores sejam indicados pelo executivo.

O julgador segue dizendo que “não vai sancionar qualquer administrador ou interventor indicado pelo executivo, de modo a manter o distanciamento necessário (o que obviamente não aconteceu com o Ministério Público) para eventualmente julgar as ações de responsabilidade, indenizatórias ou execuções encetadas a partir da presente”.

Como cantava Wanderlea, “por favor, pare agora. Senhor Juiz, pare agora”. O judiciário determinou uma intervenção judicial e suas condições, agora, além de atirar para todos os lados, declara que não tem condições de fiscalizar o cumprimento daquilo que determinou?

Para coroar a sucessão de absurdos, depois de tudo isso o mesmo Dr. Amaury remete os autos para o TCE, alegando que é esse órgão que tem a competência e capacitação para julgar contas públicas.

Excelência, será que dá pra esclarecer a quem devemos pedir que interfira no processo e JULGUE?

Ironia tem hora e esta, definitivamente, não é adequada. A desfaçatez do julgador demonstra o cinismo de quem se vale do cargo para se considerar acima dos mortais.


A primeira mulher presidente resolveu que tem que mudar as regras da língua pátria e está tudo certo, afinal, “é a primeira mulher” a presidir esta nação.

Por ser a-primeira-mulher-a-qualquer-coisa, muita gente simplesmente esquece outras questões definitivamente muito mais importantes do que o sexo. Embarcando na onda, instituições dos mais variados matizes que resolveram homenagear e exaltar as detentoras de órgãos sexuais femininos.

Ora, não é que eu não goste de xoxota, mas vamos com calma. Estamos em 2011, as mulheres podem fazer o que bem entenderem, inclusive ser mais macho do que muito macho que está por aí, sem com isso considerar que ser “macho” é um adjetivo de uso exclusivo do sexo masculino, até porque homossexuais muitas vezes também o são.

O fato é que eu estou  definitivamente mais interessado em ter pessoas competentes, honestas e humanas em postos de comando. Explodam-se os que se fixam em questões menores como as preferências sexuais. Eu quero é GENTE!

O irritante é que a tal da justiça – que tudo sabe – acaba reforçando essa idiotice e não faltam os “devogados” para exigir os direitos das minorias, dos “injustiçados”, dos oprimidos.

A última babaquice desses espertinhos foi uma declaração de um advogado do IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito de Família) que discordou da decisão do STJ de considerar que os avós maternos e paternos tem igual responsabilidade pelo pagamento de pensão aos netos. Ele não concorda, afinal “Avós maternos não deveriam ser implicados porque a mãe já faz a parte dela. O mundo masculino sai ganhando de novo”.

Meu caro, será que daria para ser menos idiota? O mundo não é masculino, feminino, homossexual, negro, índio, cafuso, japonês, loiro ou qualquer outra coisa: o mundo é de todos e a era dos espertalhões vai acabar porque as divisões que estão sendo criadas são tantas que, em breve, todos seremos minoria.

Enquanto isso, a “justiça” continua determinando que a Assembléia não precisa prestar contas para a população, que é normal o doente morrer sem atendimento na Santa Casa, desde que o gestor seja a prefeitura e que eu não posso dar uma palmada na bunda do meu filho malcriado.


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