Pois é, estou voltando.

Depois de um bom tempo tentando arrumar as bobagens criadas por uma hospedagem nacional incompetente, desisti e resolvi transcrever tudo o que tinha desde o começo do blog.

Não vai ser tudo de uma vez mas, aos poucos, vou escrevendo coisas novas e transcrevendo o que já existia. Vai ser divertido reler o que escrevi há tanto tempo.

Además, se a mi me gustan que se asi se queden, p’á que me voy aburrir? (desculpe maestro Yupanqui, não resisti).

Como brinde de retorno…


por Mara Kramer

Torna-se cada dia mais evidente, após os oito anos nos quais a situação ocupou todos os espaços do campo político no Brasil, que o PSDB contém um impedimento congênito de atuar como partido de oposição. Trata-se de uma questão instigante, considerando que no mundo político de uma democracia é capital que os partidos estejam preparados para viver suas duas possíveis realidades – situação e oposição – as quais são necessariamente transitórias e antagônicas.

Entretanto, observa-se que o PSDB mostra-se incapaz de atuar como partido de oposição, e embora muito se tenha especulado sobre as razões desta atitude, elas se mantém nebulosas. Estas questões seguem presentes, mas por ora, proponho apenas uma aproximação da questão central, reflexionando sobre a importância do discurso ideológico, ou de sua ausência, na última eleição presidencial.

Após o final das eleições, e mesmo durante, muitos artigos difundidos pela imprensa criticavam a ausência na disputa do debate político, ou seja, a discussão sobre o suporte teórico, as ideologias dos partidos em disputa. Neste momento, é justo fazer-se uma ressalva a Plínio Arruda do PSOL, quem mesmo apresentando uma plataforma radical, não hesitou em esclarecê-la e defendê-la. Concentremo-nos, porém naqueles com reais condições de vencer o pleito, os candidatos do PSDB e do PT.

As bases de construção da candidatura de Dilma Rousseff apóiam-se na completa absorção de sua figura pelo “mito” Lula. Ambos constituiriam uma “unidade” não homogênea, na qual Lula, o todo-poderoso, dividiria sua carga de significados com Dilma, pouco conhecida, sobretudo da maioria, e, portanto, isenta de uma imagem própria. Neste sentido, Rousseff é respaldada na campanha, não apenas pela popularidade de Lula, mas pelo suporte ideológico do PT e do “lulismo”.  Ambas as posturas são simultaneamente convergentes e contraditórias, pois o lulismo é a forma de governar adotada por Lula produto da impossibilidade de executar na integra o ideário do PT. No exercício de seus mandatos, e até para chegar a eles, Lula foi obrigado a fazer concessões, muitas opostas ao plano original do partido, gerando um modelo misto singular, entre a esquerda radical e a social-democracia, que leva seu nome.

Na prática Lula tentou aliar seu pragmatismo, a manutenção da política macroeconômica do governo anterior, a ausência de pudor ao cooptar com representantes da direita tradicional e do mundo empresarial, com a política petista, cujas propostas são o banimento de todo o estabelecido. Desta permaneceu pouco mais que o apoio às antigas lutas como MST, o sindicalismo, o aparelhamento do Estado, e a sombra do PNDH-3.

Tal modelo misto resultou em um governo de incoerências, soluções improvisadas, imediatistas, da ausência de critérios morais, narrado pelas falácias de um discurso espetaculoso.

Entretanto, a habilidade política de Lula colocou a realidade em segundo plano, e alavancou ao protagonismo a idéia da justiça social, da luta de classes entre ricos e pobres, nordestinos e sulistas, colocando-se como o redentor dos desamparados. Trata-se de uma plataforma histórica da esquerda/PT, agora executada no estilo “lulista”.

Não menosprezando as conseqüências da expansão econômica do país, claro fruto da continuidade da política macroeconômica e das estruturas institucionais estabelecidas por FHC, sobre as quais Lula tem poucos méritos, é o discurso ideológico que legitima seu governo assim como sua continuidade. A idéia de um Brasil mais justo, com menor desigualdade, com oportunidades para todos presente nos corações e mentes de uma multidão de brasileiros, sobretudo os que sofrem o drama social, esta impregnada da figura de Lula. O presidente efetivamente pouco fez para possibilitar melhor qualidade de vida a todos, mas soube trabalhar e valorizar estas idéias.

Em oposição a Lula e sua candidata está José Serra, um político virtuoso, excelente administrador público, que traz no currículo diversas obras no campo da saúde, educação, meio-ambiente, infraestrutura urbana, etc. Homem de reputação ilibada, com quase trinta anos de vida pública, cujos próprios adversários reconhecem ser mais bem preparado. Sua campanha foi baseada exatamente nesta história de obras, honestidade, e promessas cumpridas. Sua capacidade de gestão, “aquele que sabe como se faz” era o grande trunfo dos partidos de oposição aliados sob o lema “O Brasil pode mais”.

Embora esta engenharia pareça coerente observa-se agora, devido o distanciamento temporal, que a estratégia adotada rejeitava deste sua gênese o confronto político, contendo desde aí as sementes de seu fracasso. O discurso explicito e implícito inerente à fórmula de apresentar um candidato idôneo, com capacidade reconhecida frente à inexperiente e quase desconhecida Dilma, é tornar o primeiro o herdeiro legitimo das atribuições de dar seguimento a expansão econômica que vive o país. A mensagem de continuidade esta expressa já no slogan, e é reforçada pela negação do governo de FHC, pela postura de Serra frente a Lula, e na presença desse, mesmo que fugaz, na propaganda da oposição. O slogan difundido não propõe mudança ou critica, ao contrario, reconhece como positivo o que foi feito, e o valida como estágio a partir do qual se deve avançar.

Ao analisar a prioridade atribuída à imagem de continuidade no discurso da oposição verifica-se que a estratégia responde a proposições claras:

  • explorar a indiscutível capacidade de gestão pública de Serra;
  • abster-se da confrontação com um governo cujo presidente detém alta aprovação popular;desviar-se da dificuldade crônica do PSDB de exercer como partido de oposição.

Neste sentido, a campanha presidencial de 2010 foi o corolário de oito anos nos quais PSDB mostrou-se incompetente como partido de oposição, criando um vazio político na democracia brasileira.

A partir da decisão de não fazer oposição tomada por Serra e seus assessores a campanha assume um papel paradoxal, que renega a lógica da ciência política de um regime democrático, onde a oposição se apresenta como continuidade da situação. Ambos, Serra e Dilma, se propõem a dar seguimento ao governo Lula, sendo que a oposição afirma ter o melhor candidato. O tema central do debate nestas circunstâncias passa a ser a capacidade de gestão dos candidatos, conseqüentemente, a discussão política, ou confronto ideológico, perde espaço.

A inexistência do debate político na campanha favorece ao PT. Embora sua candidata não seja carismática, eloqüente, ou contenha uma carga simbólica importante, tem atrás de si um discurso ideológico histórico e amplamente difundido, apesar de não passar de discurso.

No que tange a Serra, a situação é inversa. O PSDB é um partido social-democrata, e portanto contém bases intelectuais definidas, mas quantos de nós sabem o que é, quais são os princípios, como funciona uma social-democracia.
Segundo o Instituto Teotônio Vilela, a “social-democracia propõe uma sociedade em que os ideais da igualdade e da justiça social convivam com a preservação das liberdades democráticas e individuais, no contexto de uma economia de mercado”. É contrária a economia estatizada assim como rejeita a soberania do mercado.

As campanhas são fundamentais na consolidação e difusão das bases ideológicas dos partidos, pois são elas que definirão as políticas sociais, econômicas e culturais. A ideologia é a visão de mundo que rege as ações e relações no mundo político, assim como as propostas de construção do futuro. É com a ideologia que nos identificamos, é por ela que nos apaixonamos, não pela aridez dos números. Serra perdeu uma grande oportunidade de consolidar e difundir uma ideologia opositora, optou por priorizar a gestão, entretanto, na política, gestão sem ideologia não funciona.


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Por menos que goste dos efeitos, a idéia de dividir o tempo em dias, semanas, meses e anos, nos obriga a avaliar resultados, quer pessoais, quer coletivos. O tal calendário gregoriano de 2010 está no fim e do ponto de vista do cenário econômico, tivemos erros e acertos importantes.

Primeiro é preciso reconhecer que aprendemos as lições das crises da Ásia (97) e da Rússia (98). Naqueles momentos a economia brasileira estava se estruturando de um longo período hiperinflacionário e sentimos fortemente os impactos de crises que não estavam diretamente ligadas ao país.

Não quero ficar falando em economês mas o fato é que a constatamos que quase o mundo todo “atolou” em 2010 e o Brasil conseguiu avançar um pouco. Menos que China e Índia, é verdade, mas avançamos.

Costuma-se dizer que a economia responde como um transatlântico, de maneira lenta. Estamos hoje na direção que foi estabelecida na construção do Real. Nesse aspecto, o desenvolvimento vertiginoso das telecomunicações é o melhor exemplo do que acontece quando o Estado age como vetor de desenvolvimento e não tenta extrapolar suas funções.

O resultado da resposta rápida do país à crise pode ser sentido no nível do emprego, no crescimento do PIB (enquanto economias muito fortes tiveram desempenho negativo) e, evidentemente, nas eleições.

Só que o mundo continua andando. A menos que acreditemos no seu fim em 21 de Dezembro de 2012, precisamos acordar desse torpor lulístico do “nunca antes na história desse país”.

O próximo governo está atrasadíssimo em relação a mudanças essenciais na condução da economia porque, a julgar pelo discurso, continua sentado nos louros do passado.

A inflação está se desgarrando porque Lula conseguiu incutir na cabeça do brasileiro que todos precisam gastar. Já basta! Dilma precisa dizer que o brasileiro precisa INVESTIR. Em produção, em educação, em infra-estrutura, em bens de produção…

Nossas taxas de juros são insuportáveis mas continuam sendo absorvidas pela sociedade. Em favor de quem? Não é só do sistema bancário porque, no final das contas, quem sustenta essa situação é a gastança desenfreada do próprio governo, que não quer pensar em eficácia, mas em poder político.

Imaginar que os detentores do poder pensem em sustentabilidade, portanto, seria quase pueril.

No balanço de 2010 o que ficou foi, portanto, a constatação de que tínhamos aprendido e esquecemos de novo.


Outro texto do magistral Carlos Brickmann. Pare e pense respeito, por favor.

O crime de salvar uma vida

Diz a Bíblia: “Não fique inerte perante o sangue do próximo”. O Talmud, compilação das leis judaicas e de suas interpretações, diz que quem salva uma vida salva a Humanidade. No Brasil, um laboratório está sendo processado por uma agência federal pelo crime de colaborar, de graça, para salvar uma vida.

A história inacreditável do processo da Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, contra o Laboratório Baldacci, de São Paulo, começou há três anos. Victor, filho recém-nascido de Bianca Calumby, tem uma doença rara: para viver, precisa de um caríssimo aminoácido, a citrulina, que lhe permite aceitar alimentação. O Laboratório Baldacci, procurado, doou três quilos do aminoácido, que garantiram a vida de Victor até o início deste ano. O Baldacci doou então mais dois quilos – tudo documentado, com pedido médico, doação formal.

A Anvisa, alegando que o Baldacci tinha autorização para usar o aminoácido como matéria-prima, mas não para doá-lo, autuou o laboratório. “Nunca pensei que pudéssemos ser punidos por querer socorrer uma criança”, diz, com toda a razão, Ronaldo Abbud, diretor do Laboratório Baldacci. A mãe de Victor completa: “É questão de formalismo cego. Sem o remédio, o garoto teria morrido”.

O laboratório fala pouco sobre o caso: pode sofrer retaliações e talvez até perder o certificado de boas práticas farmacêuticas, o que o tiraria fora do mercado. Mas o Baldacci pretende continuar (gratuitamente) cumprindo sua missão: ajudando a salvar vidas. Já a Anvisa prefere cuidar dos formulários e não de vidas.

As dúvidas, as dúvidas

Caso a Anvisa tenha êxito e impeça o Laboratório Baldacci de doar a substância que permite a sobrevivência de Victor, que acontecerá?

1 - Abre-se então um rigoroso inquérito caso o menino morra?
2 - O Governo passa a fornecer o remédio que já disse que não tem?
3 - A família do menino que se vire, que a Anvisa não tem nada com isso?


Era mais que necessário que o BACEN tomasse medidas urgentes, mas não passa a ser menos complicado o problema gerado pelos altos juros praticados no Brasil.

Hoje, 3 de Dezembro, o Banco Central publicou uma série de medidas cujo objetivo primeiro é reduzir a massa monetária em circulação, que em economês se conhece como “enxugar a liquidez do mercado”.

Evidentemente, como qualquer outro bem, o dinheiro obedece à lei da oferta e demanda, ou seja, da mesma forma que a carne ou o chocolate, fica mais caro à medida que é mais procurado e está menos disponível.

O “custo” do dinheiro é o que conhecemos como juros, portanto, será inevitável ocorrer um aumento das taxas de juros.

Como eu vivo defendendo a poupança, isso só faz melhorar as condições para quem consegue planejar suas compras e, por conseqüência, poupar antes para comprar à vista depois, portanto, até aí, tudo bem.

O problema é que essa necessidade acaba sendo um efeito colateral da política de gastos sem controle do governo federal e traz reflexos diretos e nefastos sobre a atividade econômica e, em conseqüência, no nível de emprego e desenvolvimento das empresas.

Não é uma crítica infundada. Ao contrário é bem simples de demonstrar.

O governo gasta muito – e tem gasto mais a cada mês. Até aí, nenhuma novidade. Só que tem gasto muito mais do que arrecada, apesar do crescimento constante da arrecadação. Como é natural e conhecido de qualquer pessoa, se gastamos mais do que ganhamos, em algum momento vamos precisar reduzir os gastos ou tomar dinheiro emprestado.

Como não poderia deixar de ser, o governo usa a pior opção: emite títulos da dívida pública e os coloca à venda. Quem compra, sabe que ao vencimento, receberá seu dinheiro acrescido de juros. Esses juros são os que chamamos de “básicos” ou taxa SELIC. Quanto mais dinheiro o governo precisa, mais caro está disposto a pagar, aumentando a taxa SELIC.

Como o Brasil é o país com juros básicos mais altos do mundo, investidores do mundo todo estão interessados em títulos da dívida brasileira, portanto, entram muitos dólares para especulação financeira.

Só que dólar também é mercadoria que obedece a lei de oferta e procura. Muita oferta, cai o preço. Quando cai o valor do dólar diante do real, duas coisas acontecem: as exportações ficam cada vez menos rentáveis e as importações ficam cada vez mais baratas.

O IBGE publicou ontem um estudo no qual avalia que o menor ritmo de crescimento do setor industrial brasileiro deve-se ao “maior nível de importações nos últimos meses, os estoques elevados em alguns setores, as exportações crescendo de forma mais tímida e as paralisações do setor de petróleo”.

Portanto, se o governo gastar menos, a necessidade de endividamento será menor, a taxa de juros cairá, reduzindo a entrada de dólares, que vai aumentar a taxa de câmbio, incentivando as indústrias locais, que geram empregos.

Fui claro? Ou tenho que desenhar?


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Um bando de í­ndios, divididos em dois grupelhos, está impedindo o tráfego em DUAS estradas federais que ligam Campo Grande, MS, a Corumbá e a Cuiabá. Se quiser saber um pouco mais a respeito, veja a matéria AQUI. Outra vez a FUNAI não cumpre seu papel (ou será que patrocinou os ônibus que levaram os bandos?).

A bagunça generalizada começa, evidentemente, dentro das casas de gente que acha que é credora daqueles que atingiram algum sucesso. É o “rame-rame” de sempre. Em um momento são os coitadinhos dos indiozinhos que foram espoliados pelos brancos, agora não conseguem viver dignamente. Em outro, os trabalhadores que querem terra para viver e trabalhar (e quando conseguem a terra, não conseguem fazer nada nela).

Não, eu não sou conservador. Minha questão é muito prática: Terra é um bem escasso, certo? (escasso, em economia, quer dizer limitado). Se é escasso, deve ter seu uso administrado de forma racional para maximizar os resultados porque a coletividade ganha ou, dito de outra forma, “todos perdem quando não consideram a possibilidade de compartilhar recursos escassos entre sistemas” (Sérgio Lins).

Se os í­ndios soubessem realmente usar a terra, ótimo. Mas não é  isso que acontece. Que direito maior tem o í­ndio em relação ao não-í­ndio? Não defendo a propriedade de terra a qualquer preço, mas definitivamente não se pode dizer que sejam exemplo de produtividade e se dependesse deles, nosso paí­s estaria obviamente abaixo do Senegal em termos de produtividade.

No Brasil o sucesso é punido. É mais fácil – e seguro – distribuir benesses aos que fazem barulho. Imagine o perigo de educar essa gente. Povo que pensa é  povo que não se conforma com a corrupção porque entende que ela traz prejuízos a todos, portanto, a lógica reinante é  a de distribuir espelhos e contas, que é uma atitude quase tão velha quanto “panis et circense”.

Tem que ser muito idiota ou muito mal intencionado para achar que demarcação de terra resolve o problema do povo, seja í­ndio, negro, marciano ou quadrúpede. Pior é que os direitos da coletividade são massacrados por uma minoria estúpida e arrogante e ninguém fala nada.

 


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